Relações diplomáticasRelações económicasRelações jurídicasUma Faixa Uma Rota, a relevância de uma grande iniciativa

Nas comemorações do 3º Aniversário da Associação Amigos da Nova Rota da Seda (ANRS) foram  várias as opiniões e sugestões lançadas sobre esta iniciativa desenvolvida pela República Popular da China. 
18 de Dezembro, 2019264112 min

Cooperação, cultura e investimento foram as palavras mais utilizadas no 3º Aniversário da Associação Amigos da Nova Rota da Seda (ANRS). A celebração,  que decorreu na passada quinta-feira, 12 de Dezembro, juntou vários convidados num jantar onde reinou a boa disposição e optimismo, parentes sobretudo nos discursos de Fernanda Ilhéu, Presidente da ANRS, Rui Torres, Secretário de Estado da ANRS, Cai Run, Embaixador da China em Portugal, e Choi Man Hin, Presidente da Assembleia Geral da ANRS.

A 21 de Dezembro de 2016, 21 sócios fundadores dos ANRS reuniram-se para outorgar a escritura de constituição da associação. “Tínhamos todos a convicção de que a visão chinesa de lançar a Iniciativa Uma Faixa Uma Rota, com o objectivo de revitalizar as antigas Rotas da Seda Terrestres e Marítimas e torná-las novos vectores do comércio mundial, iria dar um novo impulso à globalização e um enorme contributo para um mundo mais sustentável, desenvolvido e pacífico. O Governo Chinês estava determinado a trabalhar para que Portugal cooperasse com a China nesta iniciativa e tivesse um papel importante na Rota da Seda Marítima do Século XXI”, relembrou Fernanda Ilhéu. 

Portugal foi o primeiro país da Europa Ocidental a assinar com a China um memorando de entendimento para enquadrar a sua cooperação na construção da Nova Rota da Seda. Essa assinatura decorreu em Dezembro de 2018 durante a visita do Presidente da República Popular da China, Xi Jinping, a Portugal. Desde então, “temos verificado que as autoridades chinesas, a começar pela Embaixada da China em Lisboa, têm reforçado o seu empenho em aproximar a cooperação dos dois povos nesta iniciativa, trazendo para Portugal delegações governamentais, missões empresariais, académicas e culturais”.

A relação económica entre Portugal e China tem conhecido, nos últimos anos, uma dinâmica de crescimento, tanto no comércio internacional, como nos fluxos de investimento.

O relacionamento entre Portugal e a China “caracteriza-se por laços de amizade e de entendimento mútuo, fruto de mais de cinco séculos de contacto entre os nossos povos. Queremos naturalmente reforçar esses laços e a cooperação entre os dois países”, revelou o Secretário de Estado da ANRS, João Torres. 

Do ponto de vista económico, “saliento a importante cooperação bilateral no domínio das startups”. A República Portuguesa e a República Popular da China poderão também beneficiar de uma articulação superior a este nível, aproveitando as oportunidades decorrentes das actividades destas empresas. Além disso, os aspectos culturais e sociais são igualmente determinantes para esta iniciativa. O comércio sempre foi uma forma de aproximar os povos e de estimular afinidades. “Foi assim no passado, é assim no presente e continuará a ser no futuro”. 

“Estamos naturalmente empenhados em promover um maior equilíbrio no comércio bilateral. Temos produtos e serviços inovadores e de excelência a competir de forma sólida num mercado cada vez mais global”. Prova disso, é que em 2018, o mercado chinês foi o quarto maior cliente de Portugal, tendo o comércio de bens ultrapassado, pela primeira vez nos últimos anos, os três mil milhões de euros. Globalmente, o número de empresas portuguesas exportadoras para a China tem vindo a aumentar, contabilizando 1509 empresas. 

Para João Torres, Portugal possui fortes motivos para as empresas chinesas investirem, nomeadamente nos “recursos humanos altamente qualificados, nas relações privilegiadas com os Países de Língua Oficial Portuguesa e numa qualidade da rede de infraestruturas e logística de nível superior”. 

Para esta iniciativa, o país tem ainda outro trunfo: o Porto de Sines. “O Porto de Sines, de águas profundas, detentor de uma posição geográfica de excepção, situado na confluência de três rotas internacionais de comércio é, sem dúvida, o ponto mais próxima de chegada para navios que cruzam o Canal do Panamá rumo à Europa, podendo ser uma das mais importantes portas de entrada da Nova Rota da Seda Marítima”.

Actualmente, as relações entre Portugal e China estão na melhor altura histórica. Esta é a convicção de Choi Man Hin. O projeto da Faixa e Rota aumenta as necessidades de cooperação entre a China e Portugal e Hin defende que para este “megaprojeto” há dois desafios colectivos a ter em conta – o desafio da sustentabilidade e o da digitalização. 

Em referência ao desafio da sustentabilidade, “apraz-me registar o forte compromisso, quer da República Portuguesa, quer da República Popular da China, no cumprimento dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas 2030”. No que concerne aos desafios da digitalização, Portugal reconhece a importância que o comércio electrónico desempenha nos dias de hoje, estando a apostar “em estratégias de inovação nas tecnologias de informação e comunicação, dirigidas a cidadãos e operadores económicos”.

Macau, a ponte entre Portugal e a China 

Para a construção da Nova Rota da Seda Marítima do Século XXI, Macau tem uma particular responsabilidade na ligação desta iniciativa aos Países de Língua Portuguesa. Macau sempre foi um grande elo de ligação entre Portugal e a China e os laços estabelecidos durante séculos entre estes povos resulta hoje numa Comunidade de Países de Língua e Cultura Portuguesa

O território macaense foi administrado durante 442 anos por Portugal e a transferência desta administração para a China foi feita a 20 de Dezembro de 1999. Celebram-se agora 20 anos! 

“20 anos depois, Macau está mais rica e com a maioria da sua população a viver numa classe média confortável. Macau tem uma cultura própria e uma forma de conviver com respeito pelas diferenças das suas comunidades, desde a chinesa, a portuguesa, mas também à Filipina, Indiana, Australiana e Americana”, disse a Presidente da ANRS. 

Se por um lado, a China e o Governo de Macau têm cumprido o compromisso em manter durante 50 anos o princípio Um País Dois Sistemas e têm respeitado esse estilo de vida, por outro lado, a Administração Portuguesa de Macau deixou um legado político, económico e administrativo que muito contribuiu para o sucesso destes 20 anos de transição pacífica. 

Para 2020, o objectivo central da ANRS é contribuir para desenvolver projectos concretos na cooperação de Portugal com a China na Iniciativa Uma Faixa Uma Rota!

 

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