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Solidariedade com Portugal: Reciprocidade como mote da amizade luso-chinesa - Ni Hao Portugal
 

Covid-19MacauOpiniãoSolidariedade com Portugal: Reciprocidade como mote da amizade luso-chinesa

Opinião de José Manuel Esteves, presidente da Associação de Médicos de Língua Portuguesa de Macau e médico cirurgião Maxilofacial na Região Administrativa Especial de Macau.
21 de Maio, 202020220 min

José Manuel Esteves, presidente da Associação de Médicos de Língua Portuguesa de Macau

 

Quando todo o mundo centrou a atenção no surto epidémico que despontava na Província de Wuhan, Portugal foi um dos países que, numa hora difícil, estendeu a sua solidariedade à República Popular de China, em geral, e à Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) em particular. Tal gesto não passou desapercebido, nem às autoridades, nem aos cidadãos, quer na China quer na RAEM.

Escassas semanas após reportarem casos de Covid-19 em Portugal (os primeiros dois a 2 de Março), foi notícia uma iniciativa de solidariedade com o SNS por parte da sociedade civil de Macau, a qual congregou cerca de duas dezenas de associações, instituições e personalidades. 

Partindo de conversas entre os presidentes de algumas dessas entidades e de conversas em grupos nas redes sociais, as vontades culminaram com uma primeira reunião presencial de algumas destas pessoas no dia 20 de Março. 

A partir dessa data, os contactos multiplicaram-se e o grupo rapidamente se alargou, agregando a Casa de Portugal em Macau, a Santa Casa da Misericórdia de Macau, a Associação dos Macaenses, a Associação dos Jovens Macaenses, a Associação dos Reformados e Pensionistas de Macau, a Associação dos Médicos dos Serviços de Saúde de Macau, a Associação dos Médicos de Língua Portuguesa de Macau, a Associação dos Funcionários Públicos de Macau, etc., etc.,

Acresceu o apoio institucional do Consulado-Geral de Portugal para Macau e Hong Kong, da Agencia para o Investimento e Comercio Externo de Portugal (AICEP), do Instituto Português do Oriente (IPOR) e do Banco Nacional Ultramarino (BNU), tendo este ultimo aberto uma conta solidariedade (BNU – MOP 9016556516) – cuja gestão foi da exclusiva responsabilidade do próprio banco.

No dia 26 de Marco, oito representantes deste grupo foram recebidos pelo Chefe do Executivo do Governo da Região Administrativa Especial de Macau, Ho Iat Seng, que informaram os objetivos da campanha a que se propunham e de quem receberam incentivos e concordância. No mesmo dia, ao final da tarde, uma conferencia de imprensa lançou formalmente a campanha, que decorreu desde essa data até 7 de Abril.  

No final da campanha, haviam sido recolhidas MOP (Patacas) 4.800.487,70 e 1.025.000 máscaras. Com o valor angariado, depois de pesquisa do mercado (empresas certificadas e recomendadas pelo Governo Central) no interior da China, e após troca de informações com o Infarmed, Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, IP e com a Administracão Central dos Serviços de Saúde e com o próprio Ministério da Saúde de Portugal, foram adquiridos 25.000 Equipamentos de Protecão Individual (PPEs ou Hazmat Suits) com as melhores referencias de qualidade, no valor de CNY 4.250.000, tendo o BNU oferecido o valor necessário para o arredondamento da conta em moeda da RPC. A totalidade dos materiais encontram-se ja a guarda da Embaixada de Portugal em Beijing, aguardando expedição para Lisboa.

Desta experiência, de que tive o privilégio de ser um dos participantes (na qualidade de presidente da Associação dos Médicos de Língua Portuguesa de Macau) merece ser sublinhada a transversalidade de toda a sociedade civil de Macau, sendo que membros das várias comunidades mostraram a mesma disponibilidade e generosidade, cada um na medida das suas posses.

E sem margem para dúvida, o espírito de grande coesão e sintonia no seio da Comissão Solidária de Macau, foi um momento de orgulho desta comunidade multicultural e multilingue da RAEM.

Importa igualmente referenciar que esta campanha de solidariedade a partir de Macau e tendo o SNS português como destinatário, embora realizada com maior projeção, não foi ato único. 

Muitos residentes da RAEM compraram máscaras e outros equipamentos de proteção, que foram enviando não apenas a familiares e amigos, mas também a hospitais das suas terras de origem, a IPSSs e Misericórdias, a Lares de Terceira Idade, etc. Contam-se por muitos milhares estas doações.

Do mesmo modo, a Faculdade de Medicina da Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla inglesa), cujo curso pioneiro no território começou em Setembro passado, doou equipamentos a várias escolas médicas e hospitais de Portugal (Porto, Vila Nova de Gaia, Coimbra e Lisboa). 

Igualmente, a Santa Casa da Misericórdia de Macau, numa iniciativa separada, doou um milhão de máscaras a União das Misericórdias de Portugal. Outra iniciativa individual, foi a do empresário de Macau Wu Zhiwei, que produz vinhos em Portugal. Ofereceu mais de 200 mil máscaras ao Ministério da Saúde português.

Mas se, pelo peso das relações históricas entre portugueses e chineses e pelo significado da Comunidade Lusófona que ainda aqui reside, Macau foi um dos centros desta onda solidaria, a expressão da solidariedade Sino-Lusa pode ser observada a partir de múltiplos outros centros:

A Comunidade Chinesa em Portugal recolheu entre os seus membros fundos e doou ao país de acolhimento, onde alguns nasceram e todos vivem, carregamentos de máscaras, testes e ventiladores. 

Ming Hsu, uma empresária chinesa nascida em Taiwan, mas detentora de nacionalidade da RPC, doou a Portugal equipamentos médicos no valor de 4,6 milhões de euros, entre os quais 80 ventiladores, um milhão de máscaras, 22 mil EPIs, 100.000 óculos de proteção, 100.000 pares de luvas e 10.000 gorros. Esta foi a maior doação a título particular que o Ministério da Saúde de Portugal recebeu.

Por seu lado, a Fosun, a maior empresa privada chinesa em Portugal, com investimentos na área da saúde (Grupo Luz Saúde), doou ao SNS mais de 70 mil equipamentos, incluindo EPIs, máscaras e testes de diagnostico.

Obviamente, a expressão da solidariedade Sino-Lusa não se restringe ao esforço individual e coletivo dos cidadãos e das empresas. As relações amistosas entre os dois povos encontram reflexo nas cordiais relações de cooperação entre os Governos respetivos. 

E, neste âmbito, como sublinhou numa conversa com o homologo português, para o ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo da República Popular da China, Wang Yi, “o apoio recebido de Portugal num momento difícil não ficou esquecido”. 
Portugal, desde que recorreu ao mercado de equipamentos e produtos de saúde da China, num contexto de enorme disputa internacional, tem recebido um tratamento preferencial e todo o apoio possível por parte das autoridades chinesas. 

Como foi registado no comunicado publicado no site da Presidência da República Portuguesa relativo a conversa telefónica do passado dia 6 de Maio entre os Presidentes Xi Jinping e Marcelo Rebelo de Sousa, por iniciativa da parte chinesa, os presidentes salientaram a cooperação em curso entre os dois países, nomeadamente no sector do material hospitalar produzido na China e necessário ao combate da covid-19 em Portugal. 

Na verdade, Portugal também sabe ser grato. “O Presidente da República Portuguesa agradeceu os contributos de cidadãos e entidades chinesas, que doaram desse material ao povo português”, lê-se na nota da Presidência. 

Quero recordar ainda o Tratado da Gratidão de S. Tomas de Aquino, em que são definidos três níveis de agradecimento: o superficial ou do reconhecimento (o “thank you” do inglês), o intermédio ou o de dar graças ou mercês (o do “merci” do francês ou o do “gracias” do espanhol) e por último o mais profundo, o nível do vinculo e do comprometimento, o que usamos nos os portugueses, quando declaramos o nosso “muito obrigado!”, ou seja o do “fico-vos obrigado!” quando agradecemos a que nos faz o bem. E esta será certamente com esta nossa palavra que, enquanto Povo, enquanto Nação, iremos retribuir com o nosso vínculo e obrigação a todos os que doaram e desinteressadamente apoiaram todas as iniciativas de solidariedade a que temos assistido durante esta epidemia que também não poupou Portugal.

Como nota final, quero enumerar as imensas associações e instituições que se juntaram à Comissão Solidária de Macau para juntos tentar combater a pandemia provocada pelo Covid-19 em Portugal:

  • Associação dos Antigos Alunos da Escola Comercial Pedro Nolasco (AAAECPN)
  • Associação Comercial Internacional para os Mercados Lusófonos (ACIML)
  • Associação de Imprensa em Português e Inglês da Macau (AIPIM)
  • Associação dos Jovens Macaenses (AJM)
  • Associação dos Macaenses (ADM)
  • Associação dos Médicos de Língua Portuguesa de Macau (AMLPM)
  • Associação dos Médicos dos Serviços de Saúde de Macau (AMSSM)
  • Associação para a Promoção e Desenvolvimento do Circuito da Guia de Macau (APDCGM)
  • Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM)
  • Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM)
  • Casa de Portugal em Macau (CPM)
  • Conselho das Comunidades Macaenses (CCM)
  • Conselho das Comunidades Portuguesas do Círculo da China, Macau (CCP)
  • Clube Militar de Macau (CMM)
  • Dóci Papiaçám di Macau
  • Instituto Internacional de Macau (IIM)
  • Santa Casa da Misericórdia de Macau (SCMM)

Também apoiaram esta iniciativa:

  • Associação Luso-Chinesa dos Enfermeiros de Macau (ALCEM)
  • Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC)
  • Grupo dos Escuteiros Lusófonos de Macau (GelMac)
  • Grupo de Danças e Cantares de Macau
  • Albergue SCM•ALBCreativeLAB

Muito obrigado a todos que, de longe ou de perto, têm ajudado o meu Portugal!

 

Opinião de José Manuel Esteves, presidente da Associação de Médicos de Língua Portuguesa de Macau e médico cirurgião Maxilofacial na Região Administrativa Especial de Macau.

 

 

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