Covid-19ComunidadeOpiniãoA face do humanismo chinês no combate à Covid-19 em Portugal

Testemunho de Raquel Carvalho, técnica superior da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA).  
15 de Abril, 20202103815 min

Opinião de Raquel Carvalho, técnica superior da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA)

 

 

Até prova em contrário, é um facto que o novo coronavírus (nCoV), designado como Sars-Cov-2, surgiu em Wuhan, na China, em dezembro de 2019. No entanto, a propagação do vírus a nível mundial e as curvas exponenciais de casos que temos vindo a verificar nos diversos países, deve ser analisada com base nas políticas adoptadas pelos vários governos à escala global. 

A ajuda da comunidade chinesa em Portugal, no combate à Covid-19, tem sido muita e exemplar. Resultado da experiência adquirida, o apoio da China tem acompanhado as distintas fases de pandemia – desde a primeira fase (onde se verifica a ausência de casos de infecção), à fase de mitigação e à fase de contenção – e, acima de tudo, tem sido feita de modo directo e indirecto.  

Os chineses foram pioneiros nas medidas de combate à Covid-19

Infelizmente em vários países, a reacção inicial foi a de afastar os chineses por os associar a um vírus, manifestando actos de xenofobia, relatados nas redes sociais e contextos sociais.  

Quando ainda não havia indícios de vírus no país e, em termos de ajuda directa, a comunidade chinesa procurou informar a população acerca da propagação do vírus Sars-Cov-2, alertando, desde a primeira instância, para a necessidade de isolamento e do uso de máscaras. 

Recomendando a amigos e familiares em Portugal as normas de segurança, foram aplicadas no combate à Covid-19 na China, através de grupos de apoio e troca de informações gerados ao nível das redes sociais, desde Facebook, WeChat, entre outros.

A comunidade chinesa providenciou espaços à quarentena voluntária, precedente à presença da Covid-19 em Portugal, de pessoas vindas da China. Paralelamente providenciou um serviço de entrega de produtos alimentares ao domicílio, por forma a evitar a eventual propagação do novo coronavírus.  

Numa segunda fase, na presença da Covid-19 em Portugal, a comunidade chinesa limitou-se ao confinamento absoluto e encerramento dos seus estabelecimentos comerciais. E, enquanto na Europa se questionava a veracidade do uso da máscara no combate à disseminação do Sars-Cov-2, já os chineses adquiriam o material para uso próprio e disponibilização a terceiros

Ao acompanharem a situação do seu país de origem e familiares, a comunidade chinesa residente em Portugal foi igualmente acompanhada pelos serviços consulares e diplomáticos da República Popular da China. 

A população chinesa tem de apresentar, diariamente, através de um formulário disponibilizado pelo governo central, a medição da sua temperatura corporal, o que permite antecipar o diagnóstico de eventual presença de Covid-19. Este tipo de medidas não protege apenas a população chinesa residente em Portugal, mas igualmente a restante população do país (auxílio indirecto). 

 

Foram várias as campanhas solidárias para capacitar Portugal do material necessário ao Covid-19

As instituições sediadas em Portugal que trabalham o intercâmbio Portugal-China também marcaram o seu papel com contributos notórios, de entre elas, a Liga dos Chineses em Portugal

A Associação de Cooperação Portugal – Grande Baía, juntamente com a Associação de jovens empresários Portugal-China, a Federação Sino PLPE e a Liga dos Chineses em Portugal, constituíram uma plataforma logística de apoio à aquisição e à de angariação de materiais para os profissionais de saúde e outros serviços de resposta à pandemia Covid-19.

Os grandes pólos, de chineses residentes em Portugal, encontram-se nas periferias de Lisboa (Lisboa, Sintra, Amadora) e Porto (Vila do Conde, Porto). Locais onde essa ajuda se destacou com a apelidada ajuda ao “segundo país”.

O mesmo ocorreu nas cidades alvo de geminações ou cujos polos universitários celebraram protocolos de intercâmbio, ou oferecem um plano de estudos direccionada à comunidade chinesa. Como por exemplo, a cidade de Braga que oferece a Licenciatura em Estudos Orientais: Estudos Chineses e Japoneses, houve a doação de 10 mil máscaras e 500 kits de proteção individual e em Coimbra, ex-alunas do Curso de Língua Portuguesa, da Universidade de Coimbra doaram material ao Ministério da Saúde, vindo de Macau.

 

Não é dissociável falar-se do contributo da comunidade chinesa em Portugal, sem se falar do contributo da República Popular da China

A China Three Gorges Corporation (CTG), em parceria com a EDP, entregaram à Embaixada de Portugal em Pequim, 50 ventiladores, 200 monitores médicos e consumíveis e materiais de suporte para reforçar o apoio aos hospitais portugueses no combate à Covid-19. 

Reforçando a atuação da EDP, que passou pela doação de 500 mil máscaras cirúrgicas, cerca de 20 mil máscaras para respiradores e 10 mil fatos de protecção foram entregues à Reserva Estratégica Nacional, em Lisboa, ao cuidado do Exército Português.

O empresário macaense Wu Zhiwei, proprietário da Quinta da Marmeleira, em Alenquer, doou mais de 200 mil máscaras adquiridas na China e destinadas a profissionais de saúde em Portugal.

A promotora imobiliária chinesa Reformosa, que investe em Portugal, fez uma doação de 80 ventiladores, 1 milhão de máscaras, 22 mil fatos de proteção, 100 mil pares de luvas, 100 mil óculos de proteção e 10 mil toucas cirúrgicas, entre outros materiais de apoio aos hospitais portugueses. Esta ação resultou de uma parceria entre o governo português, a Embaixada de Portugal na China e a Câmara Municipal de Lisboa. 

A Fundação Alibaba e a Fundação Jack Ma doaram máscaras, testes e materiais de protecção a Portugal, assim como diversos tipos de materiais médicos pelos vários continentes, desde a África, América, Ásia e Europa.

A Fosun entregou 700 mil máscaras e 200 mil testes para despiste da Covid-19 ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), enviados directamente da China. 

A lista de colaborações é extensa, tendo sido apenas enumerados alguns exemplos do contributo dos agentes internacionais.

Na era da globalização, não só a informação chega a todo o mundo. Evidentemente que esta problemática da Covid-19 terá repercussões na ordem internacional, mas não se trata apenas de um debate geopolítico

Mais do que um debate de ideologias políticas, o Covid-19 é um debate de humanismo!

2 comentários

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    Alice Vila Nova

    15 de Abril, 2020 em 5:06 pm

    Opinião muito informativa e altruística que deve ser partilhada, participando num combate contra as “fake news”.

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    Augusto Lourido

    20 de Abril, 2020 em 9:26 pm

    Texto muito claro e bastante preciso nos argumentos.
    Considero, sem qualquer dúvida e a todos títulos, importante a divulgação do mesmo.
    Não só pela sua oportunidade como, igualmente, pela qualidade do seu conteúdo.

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