EducaçãoNacionalidade chinesa cresce nas instituições de ensino portuguesas

2018/2019 foi o ano lectivo com mais estudantes chineses inscritos, alcançando pela primeira vez o sétimo lugar das nacionalidades com maior número de alunos matriculados em Portugal.
23 de Dezembro, 201941417 min

As instituições de ensino portuguesas têm cada vez mais alunos de nacionalidade chinesa. Entre 2010 e 2019, o número aumentou 54,4%. 2018/2019 foi o ano lectivo com mais estudantes chineses inscritos, alcançando pela primeira vez o sétimo lugar das nacionalidades com maior número de alunos matriculados em Portugal. Os dados são da Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC).

Desde o ano de 2010/2011 o crescimento do número dos alunos tem sido contínuo. Nesse ano, matricularam-se 1839 alunos. Em 2018/2019, 4053!

No ano lectivo 2009/2010 , inscreveram-se no Ensino Básico 1152 alunos de nacionalidade chinesa e no ensino secundário 211, ocupando a 14ª nacionalidade estrangeira com mais alunos em Portugal. Desde então, os números de estudantes chineses nas instituições de ensino portuguesas têm vindo a aumentar continuamente. Os dados enviados recentemente pela DGEEC, indicam que no ano de 2018/2019, 4053 alunos chineses matricularam-se em Portugal!

A Direcção Geral de Estatísticas da Educação e Ciência publica todos os anos lectivos o Perfil do Aluno. “Uma publicação que pretende apresentar informação estatística oficial que discrimina indicadores associados a crianças inscritas na educação pré-escolar e alunos matriculados nos Ensino Básico (1º, 2º e 3º Ciclo) Secundário, Pós-Secundário (não superior) e Superior”. 

Nos dados enviados ao Ni Hao Portugal, verifica-se que o ano lectivo 2018/2019 alcançou o recorde no número destes estudantes nos diferentes níveis de ensino. No Ensino Básico, matricularam-se 2241 alunos, no Secundário 516 e 1296 no Superior. Além disso, esse ano alcançou o sétimo lugar por entre as nacionalidades com maior número de alunos inscritos, um lugar nunca antes alcançado. Nos últimos nove anos lectivos, a China tem-se fixado entre o oitavo e décimo quarto lugar. 

A partir do ano lectivo 2011/2012 , a DGEEC começou a apresentar os resultados segmentados no ensino superior – Curso Técnico Superior Profissional, Licenciatura (1ºCiclo), Especialização Pós-Licenciatura, Mestrado Integrado, Mestrado (2ºCiclo) e Doutoramento (3º Ciclo). Nesse ano, 160 alunos chineses inscreveram-se no 1º ciclo, 21 no Mestrado Integrado, 73 no 2º ciclo e 79 no 3º ciclo. Não houve inscrições para os Cursos Técnicos Superiores Profissionais, nem para as Especializações Pós-Licenciatura. Nesse ano, inscreveram-se 649 alunos de nacionalidade chinesa em instituições portuguesas. No último ano, 1296!

Os últimos dados adiantam que em 2018/2019, os resultados foram superiores em comparação com outros anos. À excepção da Especialização Pós-Licenciatura, todos os outros níveis de ensino cresceram substancialmente. Nos Cursos Técnicos Superiores Profissionais matricularam-se 6 alunos de nacionalidade chinesa, nas licenciaturas 601, mestrados integrados 56, mestrados 2º ciclo 426 e doutoramento 205. Relativamente à Especialização Pós-Licenciatura, apenas dois alunos da nacionalidade matricularam-se, menos quatro que nos últimos dois anos lectivos (continuam ambos com o recorde de seis alunos). 

Outro dado publico é referente ao género dos alunos inscritos. Quanto à nacionalidade chinesa não há dúvidas! Há mais estudantes do sexo feminino a estudar do que o masculino, à excepção de 2012/2013.

Línguas, direito, gestão e administração são os cursos superiores com maior número de estudantes chineses. Na área geográfica, Lisboa é a cidade mãe. Concentra 3820 alunos chineses! Segue-se Aveiro, Braga, Coimbra e Porto. Quanto aos estabelecimentos de ensino, 82,84% frequenta instituições públicas. Já no ensino superior, 90,1% escolhe as universidades, os restantes politécnicos. 

 

Estudantes de nacionalidade chinesa inscritos no ensino superior português, por nível de formação (2014/15 a 2018/19)

Fonte: DGEEC

 

2014/20152015/20162016/20172017/20182018/2019
Curso Técnico Superior Profissional32336
Licenciatura 1º Ciclo234390468530601
Especialização Pós-Licenciatura11662
Mestrado Integrado3747455556
Mestrado 2º Ciclo188250313369426
Doutoramento 3º Ciclo186261169177205
Total de alunos inscritos649951100411401296

 

Educação associa-se ao Estatuto Social 

Actualmente, a China ocupa uma posição central no plano internacional, a nível político, económico, linguístico, social e cultural, consequência da sua política de abertura ao mundo, fruto do seu desenvolvimento económico. Nos últimos trinta anos, sofreu grandes transformações, nomeadamente nas reformas educativas e na migração de estudantes para instituições de ensino na Europa e nos Estados Unidos da América. 

Durante esse período, mais de um milhão de estudantes chineses saíram do país para estudar em universidades estrangeiras. Estados Unidos da América e Reino Unido são os destinos eleitos. 

Na cultura chinesa, a educação associa-se ao estatuto social e é considerada um valor social, uma forma de cidadania e de prosperidade. 

O objectivo principal de aprendizagem é preparar bons cidadãos para uma sociedade justa. O trabalho árduo leva ao sucesso educativo e consequentemente a uma vida melhor. Esse pensamento permite justificar as razões pelas quais os estudantes chineses, independentemente do nível educativo, e ultrapassada a barreira da língua, obtenham os melhores resultados na escola, mais do que qualquer outra nacionalidade. 

Uma característica que distingue esta cultura de outras é a decisão de migrar para estudar. Nos últimos anos, o número de estudantes chineses que migram tem vindo a crescer e o parâmetro idade é cada vez mais precoce. No início, as famílias enviavam os filhos para países estrangeiros para ingressarem em estabelecimentos de ensino superior. Hoje, já começam a migrar para frequentarem o ensino secundário!

Entre 1978 e 2008, estima-se que mais de 1,4 milhões de chineses foram para o estrangeiro estudar. Em 2011, o Jornal Financial Times15 noticiou que 380 mil adolescentes saíram da China para estudar, um aumento de 30% em termos homólogos. No ano seguinte, cerca de um 1 milhão e 270 mil chineses estudavam no estrangeiro. 

Um estudo feito pela Universidade de Lisboa revela que “para os estudantes de nacionalidade chinesa, a sua escolarização é muito importante. Isso verifica-se nos seus depoimentos, quando admitem que estudam muito tempo diário, cerca de doze horas, muitas vezes após a frequência escolar e mais do que a carga horária laboral dos pais”. Sun Bao Hong, Académico de Ciências Sociais da Universidade de Xangai é citado no estudo. “A educação chinesa é demasiado orientada para resultados de exames […] As crianças de outros países não são submetidas a um programa escolar tão intenso. A carga psicológica exercida sobre estes estudantes [nacionalidade chinesa] é de tal modo forte que os períodos de descanso são quase inexistentes, levando nalguns casos à exaustão psicológica”. 

O mesmo estudo refere que a educação superior é vista como uma forma privilegiada de atingir o sucesso profissional. As áreas mais procuradas são o ensino, negócios, diplomacia, tradução e comunicação social. Uma resposta dos inquiridos no estudo revelou a importância que a língua portuguesa tem atualmente para os estudantes chineses. “Qualquer pessoa que tenha conhecimento da Língua Portuguesa tem emprego garantido na China”. 

Em Portugal, verifica-se cada vez mais alunos chineses a frequentarem instituições de ensino, quer sejam no Ensino Básico, Secundário ou Superior. Uma das razões que justificam esse fenómeno, são os protocolos de cooperação assinados entre Portugal e a China para promover o intercâmbio entre professores e estudantes das instituições portuguesas e chinesas. 

O interesse pelas duas línguas tem crescido e prova disso é que Portugal começa a entrar na geografia educacional dos países eleitos pelos estudantes chineses para estudar. Actualmente são a sétima maior do país!

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