ComunidadeSaúdeGastronomia chinesa em tempo de quarentena

Conversámos com uma família chinesa residente em Portugal para saber que pratos confeccionam ao longo de mais um dia de isolamento. 
30 de Março, 20205597 min

Comer é um dos maiores prazeres para a comunidade chinesa. Durante um dia, são diversas as refeições, pequenas e elaboradas, para que todos fiquem saciados. Estivemos à conversa com a família de Lu Yang para saber o que confeccionaram no 15º dia de quarentena. Lu Yang vive com a sua esposa e filha em Lisboa e há quase duas décadas que vivem no país. A filha do casal é portuguesa. 

Das 8h até às 23h, a família prepara várias refeições que passam pela confecção de pratos portugueses e chineses. O pequeno almoço é a primeira refeição do dia ,  mesmo tomado à pressa, o leite e o café não podem faltar. 

“Normalmente, levantamos-nos às 8h. Após o duche matinal, tomamos o pequeno almoço, agora todos juntos, por volta das 8h30. Na minha família, o pequeno almoço é a refeição mais simples do dia, eu só tomo um copo de galão, enquanto que o meu marido e a minha filha preparam torradas com doce e um copo de leite a acompanhar”, afirma Feifei Xia, esposa de Lu Yang. Ao fim de semana, o pequeno almoço é mais cuidado e cozinha-se uma omeleta com soja e especiarias. 

Nos dias em quarentena, a família não deixa de ter uma rotina. Enquanto que Lu Yang continua a trabalhar a partir de casa como intérprete e tradutor, Feifei Xia e a sua filha aproveitam o dia para aprender português e chinês. “Desde que estamos em casa, tenho-me dedicado e esforçado a aprender português, ao mesmo tempo que ensino à minha filha o mandarim, devido ao encerramento da escola. É uma verdadeira aprendizagem e temos muito para ensinar uma à outra”. 

Como é habitual em muitas famílias, o almoço começa a ser preparado pelas 12h. Para esta segunda-feira, 30 de março, Feifei Xia decide preparar uma refeição rápida, mas rica em sabor e nutrientes. “Hoje preparamos Tang Mian, um prato típico chinês que é acompanhado por massas [noodles] cozidas em sopa. Desta vez, incluímos salsichas, ovos e alface, mas podemos diversificar e colocar aquilo que tivermos em casa. É simples, rápido e saboroso”. Além da massa, o caldo pode ser acompanhado por arroz. 

Depois do almoço, não há tempo para descansos e o dever chama. Durante a tarde, “petisca-se um pouco de tudo e costumamos beber chá ou café”.  

Por volta das 18h, a família começa a preparar o jantar, a refeição mais elaborada e robusta do dia. Para esta segunda-feira de aguaceiros, a família decidiu cozinhar dois pratos tipicamente chineses. Começaram por preparar um caldo de carne com arroz a acompanhar, e depois o “Fanqie Dun Niurou”, um prato cozido com tomate e carne de vaca. 

“Para este prato, começamos por cortar os tomates em pedaços pequenos e a carne em cubos também pequenos. A seguir, adicionamos um fio de azeite na panela e começamos por saltear os tomates. Adicionamos molho de tomate e de soja, deixamos por algum tempo e cobrimos depois com água. Depois, colocamos a carne, temperamos e esperamos que tudo esteja cozido. Serve-se com arroz”. Como alternativa ao arroz, o prato pode também ser acompanhado por legumes, nomeadamente por batatas e cenouras. 

Como vivem em Portugal, é muito difícil obter especiarias chinesas. “Quando vamos lá [à China] aproveitamos para trazer diversos condimentos, que são muito diferentes dos de Portugal. Como vivemos cá, aprendemos a temperar os pratos chineses de uma maneira diferente, mas sempre com sabor”. 

Após o jantar, é tempo de algum convívio familiar e por volta das 22h30 bebe-se uma chávena de chá quente. “Às 23h vamos descansar”.

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