EducaçãoCulturaEducaçãoLíngua PortuguesaLista de espera para ensinar português quase duplicou em relação a 2018    

No Instituto Português do Oriente, as 289 horas registadas no ano passado foram ultrapassadas só nos primeiros dois meses deste ano. Até ao momento, já foram contabilizadas 520 horas de tutoriais em português. 
20 de Setembro, 2019948 min

Joaquim Coelho Ramos, Director do Instituto Português do Oriente (IPOR), em entrevista esta semana à Agência Lusa  explicou o rápido crescimento do número de horas de tutoriais em português, face ao ano passado. 

Faltando ainda três meses para o ano terminar, até ao momento, já foram registadas mais de meio milhar de horas, “se em 2015 foram apenas contabilizadas 23 horas de tutoriais, em 2018 registaram-se 289, contra as 520 deste ano”. Entre janeiro e fevereiro deste ano, o número de horas ultrapassou as 289, apontadas no ano passado.

Questionado pelas razões que poderão explicar esse fenómeno, o director do IPOR  revelou que “o número de tutoriais de português quase duplicou este ano, muito devido aos vistos gold e ao investimento chinês nos países lusófonos, ultrapassando o meio milhar de horas”. 

O visto gold é uma autorização de residência disponibilizada a residentes fora da União Europeia, que pretendam viver e investir em Portugal. Esta é uma autorização dada por tempo limitado. 

Por entre as nacionalidades, a comunidade chinesa é a que mais recorre a estes vistos para conseguir investir por cá. Só este ano, cerca de cinco mil vistos gold foram solicitados por esta comunidade. O Brasil vem atrás, mas com um número inferior – 810 vistos. “Portugal não é um dos dez melhores países para compradores chineses, mas para aqueles que procuram um visto gold está entre os três primeiros”. 

Quanto aos investimentos, já não é novidade que os empresários chineses estão cada vez mais empenhados em investir cá. Banca, energia e seguros são as áreas que possuem um maior capital chinês das empresas portuguesas. Um outro sector que tem registado uma elevada procura, ao longo deste ano, é o mercado imobiliário. 

São, essencialmente, essas as duas razões que fazem o número de horas aumentar, “quando perguntamos nas fichas de inscrição o porquê de querem horas de tutoriais em português, reparamos que muitos dos interessados são, por exemplo, empresários com vontade de investir ou em Portugal ou num país de língua portuguesa”. 

Relativamente às aulas, na maioria das vezes, são presenciais. Caso algum aluno não tenha essa disponibilidade, a instituição dispõe de uma disponibilidade horária para dar as aulas, através de videochamada. O objectivo é integrar e ensinar todos aqueles que estejam interessados em aprender.

Até novembro, o Instituto Português do Oriente abre delegação em Pequim

Na mesma entrevista, Joaquim Coelho Ramos revelou que, até novembro, estará a funcionar uma delegação em Pequim. A abertura desta delegação vem “pelos pedidos constantes para formação em língua portuguesa não conferente de grau académico, mas sim para efeitos pragmáticos”, indicou o director. 

Por outro lado, ainda este ano, o IPOR pretende abrir um centro de língua portuguesa em Chengdu [cidade chinesa da província de Sichuan], “onde o instituto tem ministrado o ensino de português a médicos, enfermeiros e técnicos do Centro Internacional de Formação na área da Saúde e do Planeamento Familiar”. 

Fundado em 1989, o instituto celebra, no próximo dia 19 de setembro, 30 anos de sucesso. Definida como sendo uma entidade pública empresarial portuguesa, esta instituição tem como principal missão promover a língua portuguesa e a cultura lusófona em todo o continente asiático. 

Ao IPOR, cabem todas as tarefas referentes ao ensino da língua portuguesa, “englobando o planeamento, a execução e a monitorização de cursos e de formações dirigidas a formandos e ativos de organizações parceiras”. 

Ao todo, a instituição oferece três cursos distintos – Curso Geral, Curso Intensivo e o Curso de Português Língua Não Materna para Crianças e Jovens – ao longo de todo o ano escolar. 

Actualmente, Clara Pacheco de Oliveira desempenha as funções de coordenadora e conta com um corpo docente constituído por 15 professores residentes. 

 

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