ComunidadeSaúdeCovid-19: portugueses e chineses unidos no combate à desinformação

Várias entidades oficiais juntaram-se esta manhã no Martim Moniz para visitar estabelecimentos comerciais chineses. 
28 de Fevereiro, 2020102110 min

A Câmara Municipal de Lisboa (CML), em parceria com a Direcção-Geral de Saúde e a embaixada da China promoveu esta manhã um passeio pelos restaurantes e lojas chinesas, para perceber o impacto que o COVID-19 está a ter no comércio chinês em Portugal e apoiar a comunidade chinesa.

O local escolhido foi o Martim Moniz em Lisboa e contou com a presença da directora-geral de Saúde, Graça Freitas, do embaixador da China em Portugal, Cai Run, e do vereador dos direitos sociais da Câmara Municipal de Lisboa (CML), Manuel Grilo, entre outros membros de associações e estabelecimentos comerciais chineses.

Em declarações à TSF, Manuel Grilo, explicou que a ideia surgiu ao “notar que os lisboetas se estavam a afastar de estabelecimentos geridos ou frequentados por chineses” e que “terá havido um abrandamento dos negócios da comunidade chinesa, nomeadamente nos restaurantes chineses, pelo que surgiu a necessidade de dar um sinal público contra a discriminação”,

“É seguro consumir os produtos chineses, é seguro estar com pessoas chinesas, é seguro apertar a mão a pessoas chinesas”, lembrou Manuel Grilo. “Não devemos discriminar de forma alguma as pessoas pela sua origem e não é seguramente isso que fará diferença alguma.”

Durante a ronda, foram distribuídos panfletos informativa em português e mandarim com o intuito de “transmitir informação sobre o COVID-19 e desmistificar a relação entre a comunidade chinesa e o vírus. Um almoço  num restaurante chinês, fecha o encontro com a comunidade chinesa.

“COVID-19 é o nome oficial à doença provocada por um novo coronavírus, que pode causar doença respiratória grave como a pneumonia. Este vírus foi identificado pela primeira vez em humanos, no final de 2019, na cidade chinesa de Wuhuan, Pronvíncia de Hubei, tendo sido confirmados casos em outros países”, lê-se no flyer.

Os coronavírus são um grupo de vírus que podem causar infecções nas pessoas. “Normalmente estas infecções estão associadas ao sistema respiratório, podendo ser parecidas a uma gripe comum ou evoluir para uma doença mais grave, como pneumonia”. 

Os sintomas associados ao COVID-19 são semelhantes a uma gripe (infecção respiratória aguda), como por exemplo, febre, tosse, falta de ar e cansaço. Em casos mais graves pode evoluir para pneumonia com insuficiência respiratória aguda, falência renal e, até mesmo, levar à morte. 

Para reduzir a exposição e transmissão da doença, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda lavar frequentemente as mãos com água e sabão ou com uma solução de base alcoólica, tapar o nariz e a boca quando espirrar ou tossir, utilizar um lenço de papel ou o braço (nunca com as mãos) e deitar posteriormente o lenço ou papel no lixo.

Além disso, a OMS alerta  que não existe particular risco de contágio ao receber correspondência ou encomendas da China, que todos podem continuar a fazer compras em lojas chinesas, assim como é seguro comer em restaurantes chineses. “Todo e qualquer comportamento que apele ao afastamento de estabelecimentos comerciais de proprietários ou funcionários chineses não tem razão de ser e é discriminatório!”. 

“Podemos fazer mais pelo nosso bem-estar. Passe esta informação a familiares, amigos/as ou vizinhos/as”, termina. 

Em Portugal, muitos estabelecimentos comerciais chineses estão ser afectados pelo preconceito e desinformação que existe sobre este vírus e a ligação à comunidade chinesa. Para contrariar o estigma, a CML quis mostrar a todos que não há risco de contágio por frequentar espaços comercias geridos por chineses ou conviver com estes cidadãos.

Também em declarações, Cai Run, embaixador da China, fez saber que neste momento existem mais de 70 cidadãos chineses em isolamento voluntário no país, uma “atitude voluntária e cívica desta comunidade que tudo está a fazer para que o vírus não chegue a Portugal”. Embora nenhum dos cidadãos em isolamento apresentam quaisquer sintomas do vírus, todos os chineses que viajaram recentemente estão a fazer essa quarentena para não colocar familiares, amigos e comunidade no geral em risco.

Graça Freitas elogiou o civismo e a generosidade desses cidadãos que entraram numa quarentena voluntária por 14 dias e também toda a comunidade chinesa que se juntou para evitar que o COVID-19 chegue a Portugal. “É de uma generosidade extrema pessoas que ficam em isolamento profiláctico nas suas casas, apenas para tranquilidade social, apenas para não criar alarme social nas escolas, nas fábricas, nas empresas e nas suas comunidades. É uma situação de civismo”.

Manuel Grilo reforça que “esta comunidade tem tido uma actuação irrepreensível no combate à propagação do surto do COVID-19”.

A Direcção-Geral da Saúde confirma que existem 65 casos suspeitos de coronavírus em Portugal e neste momento aguarda ainda a confirmação dos testes efectuados. “Temos que nos manter positivos de que estes casos não passam de suspeitas. Muito deles trata-se de cidadãos que viajaram de Itália para Portugal na última semana […] Acredito que não passará de suspeitas e nas próximas horas certamente será certo que não passam de suspeitas”.

Graça Freitas aproveitou o momento para lamentar os dois portugueses infectados pelo coronavírus – dois portugueses operários de um navio de cruzeiros que foi infectado pelo vírus no início de Janeiro, no Japão – e afirma que “estamos a acompanhar a situação, mantendo-nos em contacto com os mesmos. […] Eles estão estáveis e estão a receber todos os tratamentos médicos possíveis para ultrapassar o vírus”.

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