Covid-19SaúdeOrdem dos Médicos e Câmara de Comércio e Indústria Portugal-Hong Kong analisam impacto do Covid-19

Embaixador chinês em Portugal defende inteiramente que quarentena por 14 dias é fulcral para o combate do surto.
13 de Março, 202030011 min

A Câmara de Comércio e Indústria Portugal-Hong Kong, juntamente com a Ordem dos Médicos (OM), co-organizaram ontem, quinta-feira, 12 de março, um evento subordinado ao tema “Covid-19: Health, Economic and Diplomatic Impact”, no qual Cai Run, embaixador  chinês em Portugal, marcou presença. 

No encontro, estiveram também presentes, Bernardo Mendia, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Portugal-Hong Kong, Fernanda Ilhéu, presidente da Associação de Novos Amigos da Rota da Seda, assim como vários representantes da Ordem dos Médicos e de associações chinesas em Portugal. 

A iniciativa teve como principal missão analisar o impacto desta pandemia nos mais diversos aspectos, desde a saúde, à economia e relações diplomáticas, e partilhar informações e medidas necessárias de prevenção e controlo do surto, “uma iniciativa notável para conjugar a força, reafirmar a confiança e vencer definitivamente este vírus”, começou por dizer Cai Run. 

Desde a eclosão do Covid-19, a comunidade chinesa tem encarado a prevenção e controlo do vírus como “o trabalho mais importante no momento atual, tendo tomado as medidas mais amplas e rigorosas da contenção”. Exemplo disso, é a quarentena voluntária de todos os cidadãos chineses que regressaram de viagem desde meados de dezembro. 

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Para Cai Run, desde o início do surto, que o governo chinês tem intensificado a cooperação com a comunidade internacional no combate ao Covid-19. “A parte chinesa comunicou em primeiro lugar à Organização Mundial de Saúde (OMS) as informações sobre a epidemia, compartilhou atempadamente a sequência genética do vírus e trocou experiências e técnicas de contenção da epidemia com a comunidade internacional, tendo mantido contactos estreitos com os outros países, ganhando tempo para a prevenção e controlo da epidemia no âmbito global”. 

Numa altura em que o mundo enfrenta e combate o surto, Cai Run admite que as relações entre Portugal e China estão melhores que nunca e que a China tem estado atenta aos avanços do vírus por cá. “Ao longo da luta contra o surto, a parte chinesa tem comunicado oportunamente com a parte portuguesa sobre a evolução da epidemia e as medidas tomadas para a conter”. 

“A China está disposta a trabalhar de mãos dadas com a comunidade portuguesa, bem como toda a comunidade internacional, para aprofundar constantemente a confiança e cooperação entre si no combate conjunto da epidemia, fazendo os máximos para sairmos vencedores desta batalha e salvaguardar em conjunto a vida e a saúde dos povos dos dois países e do mundo”. 

Em relação à população chinesa residente em Portugal, continua em prevenção e “defendo inteiramente que a quarentena por 14 dias é fulcral para o combate do surto”. 

O embaixador aproveitou a oportunidade para falar sobre os casos de discriminação e exclusão social que tem existido sobre a população chinesa residente em Portugal. “Quero acreditar seriamente que a desinformação levou a alguns cidadãos evitarem o contacto com chineses e até vandalizar alguns espaços comerciais, como é o caso da Margem Sul”. 

Ainda assim, Cai Run é consciente de que isso é apenas uma minoria da população e agradeceu à comunidade portuguesa pela forma com que tem tratado e cuidado da população chinesa cá. “A fraternidade sempre fica mais patente nos tempos difíceis […] Ficamos profundamente admirados e gratos pela gentileza e apoio dos portugueses à comunidade chinesa residente em Portugal”. 

“Todos os trabalhos ligados à prevenção e controlo da epidemia devem ser mais rigorosos, sólidos e minuciosos. Além dos mais, devem-se estabelecer ordens socio-económicas que se compatibilizem com os trabalhos de prevenção e controlo da epidemia, procurando que o desenvolvimento socioeconómico nacional retome mais cedo o trilho normal de forma abrangente e minimizando os impactos da epidemia à economia”, defende. 

Num comunicado emitido, Xi Jinping, presidente chinês, também salienta que se deve promover os esforços de desenvolvimento socioeconómico em paralelo com os esforços de contenção da epidemia. 

“Ao mesmo tempo, com o empenho em alargar o acesso do investimento estrangeiro, devemos aumentar a importação dos bens e serviços, dar ênfase à proteção da propriedade intelectual e incentivar a abertura no sector financeiro […] Acredito que a economia chinesa terá um futuro mais brilhante ao aprofundar a reforma e ampliar a abertura”, afirma. 

Para Fernanda Ilhéu, presidente da Associação de Novos Amigos da Rota da Seda, esta iniciativa “foi excelente e aprendi muito sobre o tema e tive ocasião de ouvir também uma mensagem muito interessante do Senhor Embaixador sobre a forma como a China conseguiu controlar num espaço de tempo tão curto esta epidemia tão veloz e perigosa e como está já a reconstruir os danos que ela causou em termos económicos […] Muitos economistas ao nível mundial pensam que a China ficará mais forte em termos económicos e científicos depois desta epidemia, e eu partilho a mesma opinião”. 

Até ao momento, o boletim actualizado pela Direção-Geral de Saúde (DGS)  dá conta de que em Portugal existem 112 infectados – 53 Região Norte, 6 Região Centro, 46 em Lisboa e Vale do Tejo e 6 no Algarve – num total de 1.308 casos suspeitos. Dos 112, 107 estão internados. Aguardam resultado laboratorial 172 pessoas. Há ainda 5.674 contactos em vigilância pelas autoridades de saúde e 11 cadeiras de transmissão, mais cinco que ontem, 12 de março. 

O Covid-19 foi classificado como pandemia pela Organização Mundial de Saúde na passada quarta-feira. Em todo o mundo, há 131 mil infectados e mais de 4.900 mortes a lamentar. 

“Perante a epidemia, os seres humanos compartilham agora o mesmo desafio, responsabilidades e destino. Muita força a todos!”, são os desejos de Cai Run. 

Poderá consultar todas as informações sobre o Covid-19 aqui .

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