MundoSaúdeCoronavírus: Kevin Liu, um testemunho que chega da China

“Neste momento, as autoridades recomendam para que permaneçamos em casa e sairmos só se for necessário”. “É um começo trágico para o Ano do Rato”.
7 de Fevereiro, 2020149411 min

Kevin Liu, é chinês, tem 25 anos e é guia turístico. Nasceu na Cidade de Qingdao, Província de Shandong, e é lá que vive. Até ao momento, foram registados nessa cidade 32 casos de cidadãos infectados pelo coronavírus, não havendo para já mortes a lamentar.

Em entrevista ao Ni Hao Portugal, Kevin Liu reitera que os habitantes da cidade estão calmos, embora admita que estão preocupados e apreensivos, “a probabilidade de contágio é muito elevada”.

Na cidade de Qingdao, o Governo da República Popular da China recomendou aos habitantes que permaneçam nas suas casas e apela que estejam tranquilos e que sigam as orientações das autoridades oficiais, nomeadamente do governo e das forças militares. “As autoridades não proíbem as pessoas saírem das casas, apenas recomendam para salvaguardar o bem-estar e o menor risco de contágio”.

Nas ruas, todos andam de máscaras e foram instalados vários espaços com desinfectantes. “É muito importante estarmos sempre a lavar e desinfectar as mãos”.

Kevin Liu conta que nas artérias da cidade, vários grupos de militares, médicos e enfermeiros estão a fazer rastreios aos cidadãos. “Na semana passada saí para comprar alguns bens essenciais e durante o tempo que estive fora de casa, cerca de 45 minutos, mediram-me quatro vezes a temperatura e em cada um deles tive que responder a inquéritos diferentes”.

Para o guia turístico, esta é outra das medidas de prevenção fulcrais que as autoridades chineses têm no terreno para poder acompanhar de perto a propagação do vírus.

Quanto às medidas levadas a cabo pelo governo chinês, o jovem não perde a oportunidade de elogiar todo o trabalho desenvolvido e a preocupação que têm tido com o bem-estar dos cidadãos.

“O governo, além de todas as medidas de prevenção que tem implementado, tem informado diariamente, através dos meios de comunicação, a situação actual do vírus e os próximos passos a ter em conta, tranquilizando e acalmado os cidadãos […] Temos a perfeita confiança nas decisões do governo chinês”.

Noutras cidades, nomeadamente Wuhan, a mesma tranquilidade e calma não existe. As autoridades encerraram estabelecimentos comerciais, empresas e escolas e as pessoas são obrigadas a permanecerem nas suas casas.

Wuhan, Província de Hubei, é a cidade até ao momento mais afectada. A Província já conta com 17.200 pessoas infectadas e há a lamentar 360 vítimas mortais.

Desde 23 de janeiro que o governo chinês emitiu uma ordem de quarentena para a Cidade de Wuhuan, considerada “o epicentro do surto do coronavírus”. Os habitantes da cidade estão na segunda semana de encerramento de todos os estabelecimentos e todo o tipo de transportes. Depois dos transportes, esta semana as autoridades proibiram a passagem de carros privados pela baixa da cidade. É a maior quarentena da história e Wuhuan é agora uma cidade fantasma.

“A cidade [Wuhan] está fechada a todos e as autoridades não deixam ninguém entrar ou sair, e não deixam as pessoas saírem das suas casas”. Liu conta que militares, médicos e enfermeiros espalhados por toda a cidade vão uma vez por dia às casas das pessoas, para as examinar e perceber se necessitam de coisas do exterior, “bens alimentares ou de  saúde por exemplo”.

“Pelas últimas informações que tenho, há mais de sete mil militares, mais de dois mil médicos e cerca de cinco mil enfermeiros espalhados pela cidade de Wuhan para ajudar a população”.

Vídeo relacionado https://www.youtube.com/watch?v=033EviVx9Kc

Até ao momento, não se sabe quando é que a ordem de quarentena será suspensa. O que se sabe é que o novo coronavírus 2019-nCov já fez 490 mortos e mais de 24 mil infectados.

Em relação ao trabalho, Kevin Liu não sabe quando regressa.

O jovem é guia turístico numa empresa de viagens chinesa e viaja regularmente para a Europa com grupos chineses. Portugal é um dos pontos de paragem quase obrigatório.

“Com o Coronavírus, o governo recomendou que as pessoas que iriam viajar em lazer não o fizessem e que cancelassem as viagens para o risco de contágio ser menor e as pessoas aceitaram as recomendações”.

Nesta altura, o jovem diz que a empresa está encerrada e que as viagens que estavam já agendadas para fevereiro e março foram todas canceladas pelos grupos de excursão chineses. “Eu compreendo e não condeno, efectivamente o melhor modo de não propagar a epidemia é sair o menos possível do país e viajar torna-se um por prazer torna-se prescindível”.

Sem querer revelar números, o jovem adianta que esta decisão vem afectar não só a empresa para a qual trabalha, mas também todo o turismo da Europa, inclusive o português. “Portugal é um dos destinos europeus que recebe mais turistas chineses e acredito que haverá uma grande quebra no turismo. É inevitável”.

A propagação do vírus surge numa altura em que muitos cidadãos chineses viajam para a China para celebrarem a chegada do Ano Novo Chinês, considerada como a maior migração do mundo.

“As autoridades chinesas recomendam aos cidadãos chineses que viajaram para a China para as celebrações do Ano Novo Chinês, que permaneçam por lá e aos cidadãos que tinham viagens marcadas, que as cancelassem”. Por este motivo, as autoridades prolongaram as celebrações do Ano Novo Chinês com o objectivo de manter as pessoas em casa e diminuir assim o risco de contágio.

Em algumas cidades, as autoridades ordenaram que todos os serviços e comércio, à excepção dos hospitais, permaneçam encerrados até 10 de fevereiro. Esta medida foi já adoptada em Xangai, bem como em várias outras províncias chinesas, que mantêm o estado de emergência.

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